Uma maior sensibilidade artística que não devia ter sido separada em duas partes., 11 Setembro 2011
Autor:
Tiago Vitoria de Porto, Portugal
Este último filme quer claramente esbater o aborrecimento lírico que
foi a Parte 1, um "road trip" com pouca substância e necessitado de uma
continuação o mais rapidamente possível. Com fronteiras pouco
definidas, esta "Parte 2" funcionou como catalisador de todos os
excessos que precisavam de ser contados, (talismãs, metodologias do
Mundo mágico, exércitos de feiticeiros, mortes, destruições
) foi um
afunilar de acontecimentos essenciais que em alguns momentos deixavam
com perplexidade o espectador mais fiel. A nível argumentativo, Steve
Kloves desceu um degrau na adaptação do livro. Ou isso, ou essa
adaptação foi negligenciada em detrimento da espectacularidade visual
denominador comum dos blockbusters , essa sim, com uma produção que
fez jus aos 250 milhões de dólares gastos, deixando uma sensação de
brevidade no público, que queria ver mais e mais das lutas titânicas
entre os alunos de Hogwarts e os Devoradores da Morte. Aparte que o 3D
foi previsível e desnecessário, consumando-se em mais uma jogada de
marketing.
No entanto, e apesar de todos estes parâmetros que se revelaram menos
entusiasmantes do que o esperado, o filme, como película independente,
não deixou de ser um produto interessante e que, em comparação com o
início da saga, tem vindo a revelar uma maior sensibilidade artística a
nível de fotografia espantosa trabalho de Eduardo Serra e uma
estética mais fúnebre, escura e sombria à medida que os filmes são
feitos e os anos vão passando com os protagonistas aperceberem-se que
afinal Hogwarts já não é o sítio seguro que em tempos foi, sendo agora
palco do mais atroz sofrimento e subversão das personagens, estas que
pela primeira vez ao longo da saga, ganharam realmente densidade
dramática e psicológica.
A realização confirmou os bons ventos com que David Yates está a ser
brindado, confirmando-o como um astuto realizador e director de
actores, que está a ver o seu trabalho a ser consolidado e reconhecido
nestes últimos 4 filmes do Harry Potter.
Pode-se ainda referir a qualidade magistral das actuações de Ralph
Fiennes (Voldemort), Alan Rickman (Severus Snape) e da Helena Bonham
Carter (Bellatrix) , assim como todo o hype e trabalho de publicidade à
volta do filme, este que se confirmará como uma das sagas mais
memoráveis da história do cinema, restringindo o seu valor à escrita
fantástica de J.K.Rowling, à produção investidora da Warner Bros., e à
estratégia astuta de colocar realizadores que fizessem acompanhar o
filme de um amadurecimento progressivo ao longo dos ano. Foram eles:
Chris Columbus, Alfonso Cuáron, Mike Newell e David Yates.
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